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6 de outubro de 2011

Cães e suas coleiras...

     Um vira-lata me disse uma vez que gostava de viver assim. Solto, livre, "carpediando". Achei engraçado um vira-lata conhecer latim. Só não achei estranho ele não saber interpretar o que ouvira uma vez e repetira sempre com pseudo-astúcia digna de pena. Mal sabe ele que faz o contrário do que diz. Ou melhor, late.
     Eu nunca achei ruim ter uma coleira. Quando imaturo e filhote, achava ruim ser puxado toda vez que me preparava para dar uma bela arrancada. Hoje vejo que meu dono me livrava da rua, dos carros, da morte. Nunca achei "prisão" ter uma coleira como meus amigos da rua falavam. Afinal, ela foi comprada a mim como sinal de amor, cuidado, carinho do meu dono. Dono, coisa que meus amigos nunca tiveram. Os velhos que viviam soltos diziam que "melhor uma coleira, uma casa quente e comida todo dia, que viver à própria mercê." Ouvi esse "mercê" inclusive, de um cão já senhor que fugiu do dono quando jovem. Ele mastigava e "remastigava" diariamente restos de comida, temperadas por seu arrependimento e desgosto do que vivia. Sempre alertava os jovens a terem um dono, mas eles nunca o ouviam. Eles não sabiam ouvir. Eles nada sabiam. Mas diziam o contrário. Ou melhor, latiam.
     Passear, outros lugares, o mundo? Por que não? Passar um tempo nesses lugares é ótimo, não uma vida. Nada como a casa da gente. A base, a essência, a certeza de algo. Nunca troquei o certo pelo duvidoso. Trocar a certeza de ter amor, carinho, cuidado por essa falsa "liberdade"? Liberdade é a certeza de vida e felicidade que eu sempre tinha quando estava com minha coleira. Podia não ir pra todos lugares onde queria, mas ia pelo caminho certo. Sempre.
      Um amigo meu é guia. Muito bem-sucedido, hoje ele quem comanda. Uma vez ele me disse que é uma sensação maravilhosa guiar alguém pelo caminho certo. Dar continuidade a vida de alguém que confiou ela, inclusive, a ele. Ele é muito responsável. Um exemplo de cão pra mim. Vira-lata pra ele não é a escória dos caninos. Ele apenas diz, sorrindo, que "eles não vivem... Quiçá o melhor!"
     "Quiçá", nunca ouvi isso de um vira-lata. Só ouvia que deveria aproveitar o cio das "cadelas". Nunca achei que esse jeito delas merecia o meu romantismo... A rosa que eu conseguia carregar na boca (foi meu dono quem me ensinou isso). Mas eis que meu dono me deu uma garota. Sim, uma garota! Ela não se encaixa na mesma espécie que essas "cadelas de rua." Hoje nós dois temos coleiras. Elas nos garantem vivermos bastante pra termos filhotes e aproveitar o melhor da vida. É promessa.
     Digo o mesmo (mas sabendo o que digo) que meu antigo amigo vira-lata, que aliás nem sei onde está: CARPE DIEM. Viver o melhor é a lei. A lei é a coleira.

2 comentários:

  1. (Batendo palmas) sem mais!! parabéns primão! Qdo te ver vou lhe dar um abraço muito forte!!
    Abrass Filipe

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