Páginas

Pesquisar este blog

22 de agosto de 2012

A idéia...

     Ela existe, consigo falar dela pra você. Mas nos dias de hoje, falta algo, não consigo provar isso. Tento descrevê-la ao máximo, afim de que você compreenda o que eu compreendo (ou acho que compreendo), mas isso ainda não é completo. Dou margem pra você entender algo que às vezes eu não quis dizer. Mas o que é a idéia então? Não pode ser um conceito delimitado, se não é possível lhe descrever perfeitamente, inteligindo a todos a mesma definição. Idéia não é isso. Isso seria pobre, quanto ao valor do que é complexo e grandioso.

     Sempre que tenho uma idéia, "meço sua grandeza" pela incapacidade d'eu descrevê-la facilmente e completamente. Testo algumas idéias de roteiro com amigos e ao ver que consegui explicar completamente e eles não só entenderam, mas ainda esboçaram um "entendi, é só isso?", logo concluo: que merda! Penso que tudo que é fácil de explicar, é fácil existir, é fácil de fazer nos dias de hoje. Vivemos dias de coisas fáceis...

     Ontem, retuitei uma frase de Ricardo Gondim, um cara que admiro muito a forma de pensar. E se crucificam ele, não é anormal que crucifiquem quem gosta dele também né? (lembrando que quem dizemos seguir também foi crucificado. Estamos no lucro! hehe) A frase foi a seguinte:


"@gondimricardo Creia em Deus como uma realidade, viva como se ele não existisse."


     A primeira, de muitas palavras que me vieram à mente foi: genial. Não só genial porque ele a escreveu ou pela forma que foi escrita (ou pelo meu gosto de polemizar): essa frase carece interpretação, reflexão, coisa que é rara hoje em dia. Gosto de coisas raras. De coisas que o senso comum não liga. De ouvir meu Nat King Cole, de ler um Rubem Alves, assistir um Elia Kazan...

     Deus. Acredito tanto nele, que isso que baseia minha realidade. Realidade tem entre seus conceitos, "tudo o que existe". Eu sou testemunha de que todas as idéias que tenho, existem. Você pode não crer nelas, não é obrigado. Eu não conseguir externar o que me é real, não tira a veracidade desse real. Apenas meu meio de expressar isso que não é suficiente. Ponto. 

     Hoje vivemos em um mundo sem poesia, sem sensibilidade. Tudo tem que ser provado, medido, exato. Fizeram disso, "vida"! Pois é, que acefalia! Hoje, é mais importante saber-se exato o que é uma flor de acordo com o dicionário (com a nova regra ortográfica ¬¬'), sua cor em CMYK ou em RGB, seu tamanho exato em centímetros, polegadas, do que conhecer sua textura, seu perfume. Hoje viver é dar importância pra o que se vê, se cheira, se ouve ou se toca. Sentimento? Coisa de romancistas. Besteira, já passamos por essa "escola"! Em um mundo onde idéias tem que ser provadas, sentimentos descritos em equações matemáticas, o que me é real não existe se eu não o puder provar. E não posso. Como disse o que penso lá em cima, não consigo descrever algo que é grande, complexo. Coisas banais, bestas? Facilmente as defino. Talvez em até 140 caracteres (hehe). Mas me recuso a tentar expressar algo que pra mim é infinito.

     Se sua realidade lhe é palpável, toque-a, sinta-a. Você não precisa provar isso pra ninguém! Já que deturparam o viver e a existência como tudo que pudermos provar, ignoremos o que pensam. Se o que sentimos existe ou não existe, nós sentimos. Isso basta pra tentarmos trazer de volta o sentimento à vida. Isso nos é real!

"Ela acreditava em anjos e, porque acreditava, eles existiam."
"She believed in angels, and, because she believed, they existed”
Clarice Lispector (A hora da estrela | The hour of star)

2 comentários:

  1. Eu acho que no fim, as pessoas sofrem por "não poder viver" dessa forma real, e tudo ter de ser quantificado, mostrado, provado.
    Li uma coisa que me faz pensar e balançar a cabeça como quem diz "verdade": "Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento".
    E no fim, não é que é isso mesmo? Temos que saber viver e gostar da nossa própria realidade.

    ResponderExcluir