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23 de agosto de 2012

O meio...

     Lembro de uma aula de sociologia do Ensino Médio que falamos acerca do processo de socialização de um indivíduo. Após seu nascimento, o indivíduo adquire os hábitos e valores característicos do meio a que está inserido. Diversos agentes influenciam o que serão seus gostos, preferências pra às vezes a vida toda. Aquele time de futebol que você começou a torcer por causa do seu pai, aquela banda que não é da sua época mas que você é vidrado, aquele doce preferido que sua mãe fazia... Tudo começou assim. Aos poucos, a maioria de seus pensamentos não eram seus, mas eram importados de outros. Isso fazia parte de você. 

     Passa um tempo e a pessoa começa a andar com suas próprias pernas, ver o mundo com os seus olhos. Em uma aula de linguagem de direção, analisamos em sala o filme "Sindicato de Ladrões" com Marlon Brando. A obra em si é linda, espetacular, mas no momento em que é perceptível ao espectador que Terry Malloy (personagem de Marlon) começa a "andar com suas próprias pernas e olhar o mundo com seus próprios olhos" (cena no final do filme em que ele apanha de alguns capangas do sindicato) é impossível não pensar que ali Terry Malloy "se encontra" como Terry Malloy. Ele deixa de ser alienado aos outros e passa ser ele mesmo. É o nascimento de um homem autônomo.

     Conheço muita gente que até hoje se prende às coisas que influenciaram sua vida, positiva e negativamente. Cada um escolhe como quer viver, não estou dizendo que isto é errado. Acho apenas restrito demais viver a vida inteira com uma só ótica e que ainda nem é a sua mesmo. Gosto daquela idéia de mudar de opinião, refletir, repensar sobre as coisas. Pra mim a vida é assim, mudança, metanóia. Tenho impressão que a falta de interação entre as pessoas, respeitando seu "livre pensar", é a chave pra marginalidade da própria humanidade. Pessoas têm medo de dizer o que pensam, conclusões que chegaram refletindo sozinhas sobre, pois o mundo se tornou um local onde nichos têm vez e que é preciso acatar aos seus pensamentos para ser aceito.

     Peço que entendam ao máximo o que vou dizer: não gosto de participar de um grupo fechado. Exatamente por ele ser fechado. Queria eu que essa idéia de grupinhos, clãs fosse algo apenas escolar. Pena! Nós crescemos e temos que nos encaixar em algum, falar o que eles falam, vestir o que eles vestem, pensar como eles pensam (sendo que o "pensar" de alguns é algo tão enlatado). A liberdade já perdeu lugar nesse mundo faz tempo. Você não pode pensar diferente de alguém, justamente por criarmos seres humanos que não sabem lidar com as diferenças. É interessantíssimo ver que seres antepassados que adaptavam-se as suas diferenças, evoluíam de maneira coletiva magnífica! Falta isso hoje: pensamento coletivo!

     Se a minha forma de pensar restringe alguém, preciso rever isso. Minha liberdade vai até onde há respeito pelo próximo (minha professora de história dizia isso). O dia em que a sociedade andar como sociedade, cresceremos como sociedade. Enquanto partidos lutam por seus ideais mesquinhos e egocêntricos, estaremos longe de sermos seres humanos. Não importa se você não concorda com o que eu concordo e se a recíproca é verdadeira, se voltarmos a essência de que todos somos humanos, é a partir delas que devemos trabalhar: somos todos iguais! Como Maria Rita canta, "coisa boa é Deus quem dá, besteira é a gente que faz".

     Pessoas que falam só com "o seu meio" nunca falarão com "o todo". Nesse caso exclusivo, pra mim, nicho não rima com lixo à toa.

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