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27 de novembro de 2012

Nus...

     O que você é sem sua camiseta da Hollister, ou essa camisa "vintage" de brechó? Sem esses óculos Woody Allen, aliás o que somos pois eu também os uso. O que você falaria, diria por aí sem esse livro preto, esse Alcorão, essa Bíblia Sagrada, esse Thelema aí? Como você andaria sem esses Croc's, essa bota da Oakley ou esse Vans? O que você é sem essa bolsa da Louis Vuitton, ou esse relógio da Tommy Hilfiger? Se tirarem seu Veloster, seu Gol quadrado, seu Celta ou sua Porsche Cayenne, quem é você? Se tirassem seus demônios, seus anjos, seus orixás, seus deuses, seu Deus, quem é você?

     Quando você se olha nu, o que vê? Talvez ainda reste algo que não foi seu corpo quem produziu, mas digamos que seu corpo seja "original de fábrica", quem é você? O que você fala, como você fala? Para onde você olha, o que você deseja? Se todos estivéssemos nus, o que seríamos? Como nos separar? Pela cor? Pela altura? Mas e se fôssemos cegos, como nos veríamos? O que seríamos? Não adianta nada ver, se você não sabe enxergar!

     Seja o que mesmo que todos os sentidos forem embora, você continuará sendo. Sem os olhos não veremos um bom diploma. Sem os ouvidos não ouviremos um bom discurso. Ser escravo dos sentidos é fazer tudo o que só para eles será válido. Ser você mesmo é esbarrar involuntariamente pelos objetos requisitados por eles. Não porque eles precisam disso, mas porque faz parte de mim "ser/ter" isso.

     Bom mesmo seria se todos vivêssemos nus. Ao menos seríamos originalmente desiguais!

     Hoje é um dia que eu gostaria que todos nós fôssemos surdos, mudos, cegos... E apenas ríssemos. Racionalidade demais, é demais!

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